
A humanidade vive hoje numa encruzilhadaentre solidariedade ou barbárie.
A sociedade capitalista expandiu-se por todos os cantos do globo. Nunca se registrou saltos tecnológicos tão vertiginosos, nem uma capacidade produtiva tão elevada – de bens, alimentos e riquezas – concentrada em tão poucas mãos. Ao mesmo tempo, jamais houve tantos indivíduos submetidos à fome, à falta de moradia ou a deslocamentos forçados entre regiões e países. Nunca tantas doenças atingiram populações de forma simultânea. Tampouco se viu, em tal escala, a devastação da fauna, da flora e dos recursos hídricos… Por fim, também é sem precedentes o nível de violência que leva seres humanos a ceifarem a vida de seus semelhantes.
O neoliberalismo, expressão mais radical do capitalismo contemporâneo, incute em nossas consciências a ideia de que é preciso competir permanentemente com o outro – convertido em adversário – para satisfazer necessidades e desejos, sejam eles materiais ou imateriais.
Assim, a barbárie vai se insinuando e se consolidando, corroendo os laços de solidariedade, desagregando as formas de comunidade e fragilizando a própria vida familiar. Em outro plano, a extrema direita mobiliza uma ideologia política que instrumentaliza esse cenário para conquistar poder. Ataca sistematicamente as formas de organização coletiva – seja o próprio Estado, sejam os diversos setores da sociedade que se articulam para enfrentar desigualdades históricas. Faz isso em nome de noções abstratas de patriotismo, família e liberdade individual.
O governo norte-americano, que desde a segunda guerra mundial governa e mantém a sociedade capitalista como um império moderno, tem à sua frente hoje a expressão mais poderosa dessa ideologia de extrema direita: Donald Trump. Enquanto a hegemonia dos Estados Unidos se vê tensionada pelo crescimento da China dentro dos próprios marcos do capitalismo, o governo de Donald Trump avança, sem constrangimentos, no controle de riquezas naturais estratégicas à reprodução do capital e à preservação da primazia norte-americana, com um amplo repertório de instrumentos: desde pressões e chantagens tarifárias até o uso do poder bélico e, sempre que possível, à atuação direta ou indireta para alçar aliados político-ideológicos ao comando de outros países. Foi o que ocorreu no Brasil, com a imposição de tarifas sobre exportações, a aplicação de sanções a autoridades e o apoio a lideranças politicamente alinhadas.
Como consequência desse tipo de expansão, observa-se um cenário internacional marcado por conflitos mais frequentes e de maior escala, muitas vezes justificados por discursos de combate ao narcotráfico ou ao terrorismo. Ao mesmo tempo, cresce o debate sobre o respeito – ou a violação – das normas e do direito internacional nessas intervenções.
Mas o capitalismo nunca avançou sem resistência. No Brasil, desde os povos originários, passando pelos negros escravizados, os trabalhadores do campo e da cidade, há aqueles e aquelas que resistem.
Conjugamos essa resistência na expressão: Paz entre nós! Em um tempo em que a violência se impõe – no cotidiano e nos conflitos entre nações -, a busca pela paz é, em si, um gesto revolucionário.
É na convergência da classe trabalhadora, em sua diversidade, que reside a força capaz de enfrentar a barbárie e construir outro horizonte possível. A solidariedade será a cola que vai nos unir, contra a barbárie que tenta nos fragmentar e separar.


