
No Brasil, a violência contra as mulheres segue como uma grave violação de direitos humanos. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que só em 2025, foram 1.568 vítimas de feminicídio, crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior. Em média, a cada seis horas, uma mulher é assassinada por sua condição de gênero, sendo a metade delas entre 30 e 49 anos. Em janeiro de 2026, o judiciário registrou 947 novos casos de feminicídio.
A violência contra as mulheres – ameaças, perseguição, violência psicológica e verbal, lesão corporal, estupro, além das tentativas e o feminicídio consumado – tem aumentado de forma consistente nos últimos anos. O que configura a misoginia: o ódio às mulheres, aversão ao feminino, e que se manifesta na ideia de que o corpo e a vida das mulheres seriam propriedade dos homens. Essa violência, muitas vezes, ocorre no âmbito das relações íntimas, sendo praticada por companheiros ou ex-companheiros.
A violência atinge também a população LGBTQIAPN+, marcada pela persistência e pelo agravamento da transfobia como problema estrutural. Essa violência se expressa em agressões físicas, verbais e psicológicas motivadas pela orientação sexual e pela identidade de gênero. Cabe lembrar que, desde 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) passou a enquadrar a homofobia e a transfobia como crimes de racismo.
No caso das mulheres LGBTQIA+, a violência assume contornos específicos e permanece fortemente subnotificada. Dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) indicam que, em 2025, ao menos 77 travestis e mulheres trans foram assassinadas no Brasil. Já o levantamento do Grupo Gay da Bahia (GGB) aponta, no mesmo período, 257 mortes violentas de pessoas LGBTQIA+, incluindo homicídios, suicídios e outros óbitos relacionados à LGBTfobia. O equivalente a um assassinato a cada 34 horas -, mantendo o país, pelo 14º ano consecutivo, entre os que mais matam pessoas trans e travestis no mundo.
Em relação às mulheres lésbicas e bissexuais, destaca-se a ausência de estatísticas oficiais consolidadas, já que muitos casos são registrados apenas como feminicídio, sem identificação da motivação lesbofóbica ou bifóbica. Esse quadro evidencia a urgência de políticas públicas com abordagem interseccional, que considerem gênero, orientação sexual, identidade de gênero, raça e território, ampliando a visibilidade desses dados e garantindo proteção efetiva a essas mulheres.
Reforçamos o grito por “Nenhuma a menos”. Reafirmamos o compromisso de seguir como semente: mais plantar do que colher. Plantar justiça, igualdade e esperança. Cultivar uma sociedade onde mulheres possam vi-ver plenamente, livres de violência, e onde a soberania dos povos e o direito aos territórios sejam respeitados.


